Friday, 15 February 08, 01:59 AM
Na noite de quarta-feira, pouco antes do Sport enfrentar o Serrano, fui a uma palestra do Juca Kfouri no Ibirapuera, sobre jornalismo esportivo na era digital. O futebol, claro, ocupou boa parte do tempo. Fui pronto para ouvir, claro, mais do mesmo sobre 1987 e tal. Mas juro que não queria discutir sobre isso.
Entretanto, não resisti em trajar minha réplica do manto que Marco Antônio usava ao dar cabeçada fulminante que nos deu o título brasileiro.
Flamenguistas, chorem e se mordam. Ganhamos de W.O. no campo e de goleada no tribunal. Ponto.
Pouco antes, ele sentou ao meu lado num dos computadores do estande da CBN. Encontrei um chapa, que logo reconheceu o manto e prometeu solidarizar-se com a jaqueta da Torcida Jovem.
Então, um Kfouri colérico bradou: "Eu odeio torcedor do Sport!". Ganhei meu dia.
No início da palestra, ele soltou um "Nossa, tem até torcedor do Sport aqui. Campeão Brasileiro de 1987... da segunda divisão.
Juca, ganhamos de W.O. no campo e de goleada no tribunal. Ele ouviou e concordou.
Claro que não resisti também em obrigá-lo a tirar uma foto ao meu lado. Notem como ele ficou feliz.
Quanto ao jogo do Sport, a macumba do Juca funcionou. Perdemos de 1x0, a invencibilidade foi pro espaço. E o Corinthians dele, que havia marcado 3 gols nos últimos 4 jogos do Paulistão, fez logo meia dúzia no fortíssimo Barras-PI pela Copa do Brasil. Até Lulinha fez gol.
Que macumba dos infernos!
Thursday, 04 October 07, 01:29 PM
Não foi preciso muito tempo - mais exatamente cinco minutos - para que Anderson Aquino alçasse a bola na área do Goiás e o nanico Carlinhos Bala ganhar na cabeça para o zagueiro Leonardo (uns 20 cm mais alto), ajeitando para Junior Maranhão, livre, abrir o placar na Ilha do Retiro.
Pois é, amigos. Em cinco minutos, o Sport mostrou ao Goiás que Paulo Baier & Cia não teriam vida fácil. Anderson Aquino perdeu uma chance incrível aos 22 minutos, chutando para fora, dentro da pequena área, com o gol vazio. Lembrou (três batidas na madeira), Marco Antônio, o inigualável Marco Zero. Carlinhos Bala também perdeu uma boa chance minutos depois.
Até os 40 minutos, Adriano Gabiru foi notado apenas por duas tesouras voadoras que aplicou nos adversários. Poderia ter sido expulso, mas levou apenas caratão amerelo pela primeira delas. Até os 40 minutos tudo o que ele recebeu foram críticas e vaias da torcida. Foi então que algo aconteceu.
Após boa triangulação, Gabiru recebeu de Carlinhos Bala, limpou Ernando, deixou Leonardo no chão e chutou cruzado. 2x0, em ritmo de treino.
Veio o segundo tempo e o Goiás pressionou durante alguns minutos. Até que Anderson Aquino acertou um tirombaço de fora da área. 3x0, e eram apenas 12 do segundo tempo, mas pra que continuar prestando atenção no jogo com essa delícia de assistente?


Ah, Katiuscia Meyer... por tua causa muita gente não viu Carlinhos Bala aplicar um chapéu no infeliz zagueiro Leonardo e tocar para Da Silva Chutar para longe.
Ah, Katiuscia Meyer... quis o destino que Anderson Aquino fosse derrubado na área por Danilo Portugal sob as vistas do outro assistente. Já pensou se fosse ela levantando a bandeira para o árbitro marcar pênalti?
Voltando ao jogo, Carlinhos Bala se assanhou pra bater, sendo imediatamente impedido por Geninho, que sinalizou que o camisa dois iria bater.
Luisinho Netto num canto, Harley no outro. Goleada. Vingança pela incrível derrota no primeiro turno. Saldo de gols positivo, depois de muito tempo. Katiuscia Meyer.
Pode uma noite ser mais perfeita? Pode sim. Vasco e Botafogo perderam, e os deixamos para trás. O Fluminense empatou e está apenas dois pontos à frente. Se bem que o Palmeiras venceu. Mas venceu de virada nosso inimigo cor-de-rosa, que já contava com a sexta vitória consecutiva e conversa de hexa pra lá, hexa pra cá.
Mas Katiuscia Meyer... bem, perto dela, Ana Paula Oliveira é exatamente o que o Goiás foi na noite de 03 de outubro de 2007. Nada
Para ver os gols, clique aqui. Mas antes, mais Katiuscia Meyer.


Wednesday, 04 July 07, 05:03 PM
Ariano falou, Ariano avisou.
Antes da partida, disputada no esdrúxulo horário de 4 da tarde de uma quarta-feira, homenagem a uma construção septuagenária chamada Ilha do Retiro e um gênio octogenário chamado Ariano Suassuna. A Ilha do Retiro fez 70 anos no dia 1º de julho e recebeu 32.337 expectadores na tarde desta quarta. Entre os expectadores, destaque para Haroldo Praça, ex-jogador, jornalista e historiador. Aos 92 anos, ele é o último jogador vivo da partida inaugural do estádio, uma vitória de 6x5 do Sport sobre a Sarna do Arruda. O gol da vitória daquela partida foi do velho Haroldo, que reviveu no gramado a cabeçada fatal que decretou o placar daquela partida disputada em 1937.
Já Ariano Sussuna completou 80 anos no último dia 16 de junho. Mas parece que sempre existiu. Antes do jogo, perguntaram-lhe quai seria o placar da partida. Resposta no título do post.
Sim, o jogo foi feio, muito aqüém da homenagem ao estádio, ao artilheiro Haroldo e ao escritor Ariano Suassuna. Mas, na sinceridade, quem diabos se importa com isso?
Quem se importa com o fato de, aos trinta minutos de jogo o Corinthians tenha feito 21 faltas e o Sport, cinco. Nem me dei ao trabalho de conferir as estatísticas finais.
O que importa é a falta cobrada por Carlinhos Bala que a zagambá (zaga+gambá, gostei) ficou olhando e Washington e Igor se embolaram e este último mandou pra rede. Gol pra lá de safado, mas que fez o Sport sair na frente no segundo jogo seguido. Dá-lhe Geninho e seu 3-5-2!
Isso foi aos 46 do primeiro tempo. No segundo, Carpegiani trocou Pedro Silva e Bruno Bonfim por Welliton e Dinelson. E aos 12, numa bela jogada pela direita, Dinelson bateu no cantinho de um estático Cléber. Era o empate de um Corinthians que voltou muito melhor para o segundo tempo.
Washington parecia dormir em campo e Geninho trocou-o por Weldon. O setor defensivo também não se entendia e ele trocou o volante Bia (que Deus o mantenha na reserva) pelo zagueiro Du Lopes. Igor foi avançado para fazer a função de volante e estava mantido o esquema. Dá-lhe Geninho e 3-5-2!(2x)
E eis que aos 35, Weldon arrancou do meio campo, correu mais do que a McLaren de Lewis Hamilton, deu um corte seco que mandou Betão pra casa de cacete e fuzilou Felipe, marcando um golaço.
O Corinthians jogava melhor, a defesa deu espaço e nem a avó de Carpegiani levaria o drible que Zelão levou. Mas volto a repetir a pergunta, na sinceridade, quem diabos se importa com isso?
Sufoco corintiano, mas não teve jeito. Tal como em 2001, o último confronto entre o Leão da Ilha e o Corinthians, 2x1 para o Rei da Selva. Agora está 9 a 6 em vitórias para nós. Reclamem com o Sveiter agora!
Ao contrário do que o Rubão está fazendo esta semana, deixo o esço aberto para reclamações, ofensas e lamentações dos corintianos. O nobre Reinério está convidado a abrir os trabalhos. Afinal, tal como o software, o choro é livre!
Friday, 29 June 07, 12:43 AM
Toda vez que o Sport enfrenta o Náutico, eu nunca penso que foi num clássico dos clássicos meu batismo na Ilha do Retiro. Numa tarde chuvosa de julho de 1991, vencemos por 2x0, gols de Cristiano e Dinho (aquele mesmo, que depois jogou no São Paulo e no Grêmio).
Só penso na decisão do primeiro turno do estadual de 1993, quando Ivan levou dois frangaços e perdemos por 2x1 em casa... uma semana antes tínhamos enfiado cinco na casa deles, mas não era decisão.
Nunca lembro da final do Pernambucano de 1991, a primeira que assisti no estádio. 3x0, dois gols de Hélio e um de Moura, que, aliás, foi o gol do Fantástico (lembram disso?) naquele domingo.
Só penso que eles conquistaram o hexacampeonato estadual e fomos vices em TODOS aqueles seis malditos anos.
Não penso que em 1975, Assis Paraíba marcou o gol que nos tirou de uma fila de treze anos, em cima deles, naquele arremedo de estádio da Avenida Rosa e Silva. Escrevi até um livro sobre esse campeonato, como projeto de conclusão da faculdade de jornalismo.
Não penso na decisão de 1977, na qual o regulamento dizia que em caso de empate na final, se jogariam quantas prorrogações fossem necessárias o desempate. Só veio aos oito minutos do primeiro tempo da terceira prorrogação. 158 minutos e o gol de Mauro nos deu o título. Em cima deles.
Sequer penso que desde o hexa, em 1968, eles nunca mais nos venceram numa decisão de campeonato.
Só penso em Guilherme de Aquino, recém-chegado da Inglaterra, querendo praticar um tal de “foot-ball” que se jogava lá na terra da rainha. Foi até o então mais prestigiado clube do Recife, o Náutico, e de lá foi enxotado, dentre outras coisas por ter a pele um pouco mais escura. Irado e cheio da grana, resolveu ele mesmo fundar um clube chamado Sport Club do Recife e implantar o futebol no estado de Pernambuco.
O clube que enxotou Guilherme foi o mesmo que só passou a aceitar negros na década de 1950. Não deixo de pensar nisso, em nenhum momento.
Não penso na jogadaça de Valdo e no gol de Ricardinho pela semifinal do Campeonato do Nordeste de 2001. Eles passaram invictos nos 15 jogos da fase de classificação e nós nos arrastamos pra passar. A semifinal foi disputada em jogo único, na casa do time de melhor campanha. Foi um dos últimos jogos que assisti com meu avô, que Deus o tenha.
Só penso na bomba que o maldito Adílson mandou quase do meio-campo naquele mesmo ano e decretou um derrota nossa em casa por 2x1. Eles saíram na frente, nós empatamos e quando o segundo gol deles saiu, já estavam com um a menos e era início do segundo tempo... o sonho do nosso hexa acabava ali, ainda que fosse o primeiro dos três turnos do campeonato daquele ano.
Não penso na goleada de 5x1 que aplicamos neles em 1997, no dia do aniversário de 96 anos do Náutico.
Penso sim nos dois empates pelo estadual de 2006. Em ambos saímos na frente, poderíamos golear e cedemos o empate.
Não penso nos dois gols de Fumagalli, pelo returno da Série B no ano passado. O confronto de número 500 entre Sport e Náutico. Nem no de número 501, em fevereiro deste ano, no qual Vítor Júnior nos deu a vitória lá na casinha rosa deles. Nem no 502º, em 1º de abril, quando os gols de Weldon e Luciano Henrique nos deram o bicampeonato estadual antecipado. Há 15 anos não éramos campeões em cima do time rosa dos Aflitos.
Só consigo pensar em 25 de julho de 1909, quando eles resolveram nos copiar e jogar futebol também. Marcaram uma partida contra nós e venceram por 3 a 1. Setenta anos antes do meu nascimento, eu já tinha ódio dessa aberração chamada Clube Náutico Capibaribe. Ou simplesmente Barbie.
Marcamos uma revanche três semanas depois e terminou em 0x0. Só os vencemos em 19 de junho do ano seguinte, pela contagem mínima.
Grêmio x Internacional? Atlético-PR x Coritiba? Cruzeiro x Atlético-MG? Corinthians x Palmeiras? Flamengo x Vasco? Rangers x Celtic? Israel x Palestina? Irlanda x Inglaterra? Atenas x Esparta?
São todos casos de amor quando comparados ao ódio que tenho pelo Náutico. E às vésperas de cada confronto esse ódio aumenta insuportavelmente.
Nesta quinta-feira, 28 de junho de 2007, enfiamos quatro gols naqueles vermes. Quatro. Durval aos quatro, Carlinhos Bala aos onze do primeiro tempo. Aos vinte, Acosta, o dito craque deles foi expulso por agredir nosso zagueiro Gabriel. Abriu-se a porteira.
Mas só fomos marcar de novo aos seis da segunda etapa, de novo com Bala (não seria um míssil?) e aos 14, com Washington. Entre um gol e outro, Baiano agrediu Bruno, nosso lateral-esquerdo. Eles ficaram reduzidos a nove jogadores e poderíamos ter chegado aos cinco, seis, sete ou mais gols.
Mas o time foi cristão, piedoso. Deixou até que eles saíssem do zero, numa falta cobrada aos 31 por Hamilton que, apesar de forte, dava para Cleber pegar. Há quase um ano não tomávamos gol da Barbie. Quer dizer, do Náutico. Teríamos zerado nosso saldo negativo de gols se não tivéssemos tomado esse gol ou se tivéssemos marcado mais um.
Quando o Sport vence o Náutico, até que ódio diminui um pouco. Mas só até o próximo confronto, dia 16 de setembro, no estádio cor-de-rosa deles. Então as reminiscências carnalmente não-vividas daquela tarde de 25 de julho de 1909 voltarão à tona.
Sunday, 03 June 07, 09:12 PM
Já dizia o mestre Nelson que o empate é o mais frustrante dos resultados, pois não há a euforia da vitória nem a melancolia da derrota. Dependendo de onde se joga, há uma aproximação, ainda que discreta de um dos sentimentos. O Sport, diante de 33 mil expectadores teve uma quase derrota. Injusta, mas uma quase derrota.
O jogo até que começou com uma grande pressão do Sport sobre o time que se diz campeão de 1987, mesmo sem jogar a Libertadores do ano seguinte. E o Sport, pasmem, demorou cinco vezes mais tempo, em relação as partidas anteriores, para levar um gol.
Ao invés de levar entre 2 e 3 minutos de jogo, levou aos 15, graças à ação de dois craques do Flamengo que curiosamente estavam com uniformes diferentes dos do time do Rio. Relatemos.
O atacante Leonardo entrou na área do Sport, tropeçou e enquanto caía, Osmar, um dos craques “infiltrados”, chega forte quando não precisava. O outro craque, Evandro Rogério Roman, árbitro da partida, marca pênalti.
Renato cobra no lado oposto do goleiro estreante Cléber e pela quarta vez em quatro jogos, o Sport sai perdendo.
Luciano Henrique barbariza, com drible de letra, bola no meio das pernas do zagueiro adversário, Fumagalli cruza na medida para Washington cabecear e o goleiro flamenguista Bruno mandar para escanteio. Carlinhos Bala cobra e Washington acerta AQUELA cabeçada. Eram 33 minutos e havia doze mais os acréscimos para virar o jogo ainda na etapa inicial. Aos 44, Carlinhos Bala manda de fora da área e... no travessão.
Veio o segundo tempo e o Flamengo passou a atacar e conseguir vários escanteios em seqüência. Num deles, aos 14 minutos, eis que o craque flamenguista infiltrado na lateral direita do Sport, de nome Osmar, posiciona-se na primeira trave e... manda de cabeça para as próprias redes. O craque flamenguista infiltrado na arbitragem, Evandro Roman, descaradamente, dá gol olímpico de Renato.
O técnico do Sport troca Carlinhos Bala por Vítor Jr. e Luciano Henrique por Weldon. Aos 30 minutos, Vítor sofre falta na entrada da área. Ao meu lado, um senhor gorducho e suado morde as falanges da mão direita e murmura, com os olhos inchados:
-- É agora, essa Fuma não erra. Essa, Fuma não erra.
Segundos depois, o gorducho despenca dois lances na arquibancada e entra em estado semi-convulsivo. Por que razão?
Porque Fumagalli acertou uma falta de fazer inveja a Zico, o tal craque maior da história do Flamengo, e porque o bom goleiro Bruno pareceu nem mesmo existir no lance. Havia então pouco mais de quinze minutos para a virada.
O Flamengo sabia disso e a simples aproximação da marcação já fazia Renato & Cia saírem de maca. O árbitro também sabia, e expulsou Fumagalli por reclamação, para evitar que o Sport vencesse o jogo. Washington e Weldon também deram sua contribuição para o empate, ao desperdiçarem boas chances.
E o Sport, mesmo sem perder, chegou ao terceiro jogo seguido sem vencer. E aos sete gols, tanto marcados quanto sofridos, em quatro partidas.
Próxima parada, Maracanã, para enfrentar o Fluminense, o time do Nelson.
Dizem que todo goleiro é doido ou viado. Se esse for doido, eu choche.