Saturday, 28 June 08, 10:14 PM · Comments(0)
Por anos e anos que os editores de O Globo, além de outros jornalistas, tentaram derrubar Eurico no Vasco. Jamais conseguiram. Apontavam toda a sorte de falcatruas, roubalheiras e o que mais fosse, mas o (vice)presidente lá ficava desafiando qualquer um que tentasse sobrepujá-lo. Eleições se passaram e o mandatário que um dia eu comparei com Fidel lá permaneceu. Foi necessário que um repórter garoto e insuspeito mostrasse, na prática, o que muitos diziam existir, mas nunca conseguiram provar.
Essas fotos acima são do repórter Guilherme de Pádua, do Lance!, entrando nas penúltimas eleições do Vasco e votando sem problemas, mesmo estando há 12 anos sem pagar a mensalidade do clube. Isso, na verdade, não prova nada x nada, pois eu mesmo já votei no Flamengo sem nem sequer mostrar a carteirinha e algo semelhante deve ocorrer em todos os clubes. Mas é sem dúvida alguma uma prova da força da imprensa esportiva.
Depois de anos tentando, finalmente alguém conseguiu juntar provas contundentes e sem contra-argumentação para mostrar que as eleições vascaínas eram tão legítimas quanto às do Zimbábue. Mas só foi possível porque o Lance! acertou uma vez. E esse é meu ponto aqui.
A imprensa esportiva tem uam força que muita gente não conhece. Ela derruba técnico e acaba com carreiras de jogadores. Ajuda a perder e a ganhar títulos e muitas vezes formenta polêmicas onde elas não existem. Mas até a última sexta-feira, ela ainda não havia conseguido derrubar um presidente. Nem no Flamengo do Edmundo Santos Silva, pois ela ajudou a colocar a ISL lá dentro e não conseguiu (ou não quis) mostrar que a grana entrava mas não ficava nos cofres do clube.Outro ferrenho inimigo dos jornalistas cariocas, Eduardo Viana, o ex-presidente da Ferj, só saiu morto, após anos de denúncias e matérias contra, sem efeito.
Acho que nesse caso o jornalismo foi bem feito e fundamental, porém não é sempre assim que a banda toca. O atual caso da Seleção Brasileira mostra bem o que digo, quando converso com repórteres que fazem mea-culpa de baterem muito no treinador e confessam alguns exageros, mas quando estão diante da TV não perdem a oportunidade de "esquecer" conveniências do passado em prol da audiência.
Pois bem. O Lance derrubou Eurico Miranda. Não foi a torcida do Vasco, não foi o MUV, nem muito menos o provável enfisema pulmonar que os intermináveis e seguidos charutos lhe trarão um dia. Foi um jornal que custa R$ 1,00 no Rio de Janeiro. E um repórter, vascaíno de berço, que hoje sequer pode entrar em São Januário sob risco de ser empalado vivo num mastro de bandeira. Um jornal que um dia escreveu "Eurico é um dirigente modelo e que todos os torcedores gostariam de ter em seu clube". Tudo bem. Se a Globo colocou e tirou o Collor do poder, por que o principal diário esportivo do país não conseguiria acabar com a carreira de um ex-deputado?
--------------------------------
Enquanto isso, na terra encantada da Gávea....
Observem o pequeno-enorme símbolo na parte inferior da tela. Aquele mesmo cujo contrato foi rescindido, sabem? Aquele cujo contrato acabou e o substituto injetou R$ 10 milhões para pagar salários e sei lá mais o que. Por que não colocam o novo símbolo da camisa? Hein? Por que não???