Thursday, 12 July 07, 07:07 AM
O futebol é pródigo em acontecimentos inusitados. Em junho de 1997, o lateral-direito Zé Carlos disputava a segunda divisão do Campeonato Paulista pela Matonense. Um ano depois, era titular numa
semifinal de Copa do Mundo. Poucas histórias, no entanto, são tão inusitadas quanto a do zagueiro holandês Harvey Esajas.
Nascido em 1974 em Amsterdã, capital da Holanda, Esajas, de ascendência surinamesa, começou sua carreira na famosa academia do Ajax. Lá ele conheceu Clarence Seedorf, de quem se tornaria grande
amigo. Após breve passagem pelo Anderlecht, Esajas voltou à sua terra natal em 1993 para assinar seu primeiro contrato profissional, com o Feyenoord, arqui-rival do Ajax. Esajas não teve vida fácil
em Roterdã. Desde o começo, sofreu pressão de parte da torcida por seu passado nos "joden" ("judeus" como são conhecidos o Ajax e seus torcedores). Para piorar, durante um jogo de pré-temporada,
Esajas fraturou a mandíbula de Ronald Schouten, do Helderse Selectie.
Apesar de todos os problemas, a estréia oficial de Esajas pelo Feyenoord não poderia ter sido melhor. Ele marcou um gol no clássico contra o Ájax. Mas a torcida continuou pegando em seu pé. Sem
convencer o treinador, o zagueiro jogou só cinco partidas durante a temporada. No ano seguinte, apenas três. Na temporada 1995/1996, Esajas sequer entrou em campo.
Ele deixou o Feyenoord ao final da temporada e assinou com o Groningen, onde jogou nove partidas. Nas temporadas seguintes, o zagueiro passou pelo Cambuur Leeuwarden (nenhum jogo) e Dordrecht'90
(sete jogos).
Depois de tantos fracassos, Esajas decidiu tentar a sorte fora da Holanda. Ele fez testes na Fiorentina e no Torino, mas não foi aprovado. Na Espanha, o zagueiro teve breves passagens pelo Real
Madrid Castilla (antigo Real Madrid B), Zamora CF e CD Móstoles, onde também não obteve sucesso. Em meados de 2001, Esajas decidiu encerrar a carreira e começou a trabalhar em um circo.
A vida dele no futebol começou a mudar em março de 2004. Em uma visita ao amigo Seedorf, Esajas, então com mais de 100 Kg, disse que queria voltar a jogar. Seedorf procurou seu treinador no AC
Milan, Carlo Ancelotti, e disse (de brincadeira) que existia a possibilidade dele contratar um zagueiro de graça. Sem nada a perder, Ancelotti permitiu que Esajas treinasse Milanello por algum
tempo. Em três meses, Esajas perdeu 15 quilos.
A história tomou contornos surreais um mês depois. Com poucos defensores no elenco, o Milan ofereceu contrato de um ano para Esajas. O zagueiro, que em toda a sua carreira só havia fracassado nos
lugares onde passara, e que há três anos não jogava profissionalmente, acabava de assinar com um dos maiores clubes do mundo! “Eu quase caí da cadeira quando soube que o Milan queria me contratar”,
confessou mais tarde.
Na temporada 2004/2005, Esajas foi a última opção do elenco. Mesmo assim, como prêmio por seu esforço, Ancelotti colocou-o em campo aos 42 minutos do segundo tempo contra o Palermo, em partida
válida pela Coppa Italia. Nos acréscimos, Esajas deixou o atacante Jon Dahl Tomasson cara a cara com o goleiro, mas o dinamarquês cabeceou por cima do gol. O zagueiro também fez parte do elenco do
Milan que disputou a final da Liga dos Campeões contra o Liverpool. Esajas teria sido campeão europeu se o Milan não tivesse levado uma das viradas mais impensáveis da história do futebol (de 3 a 0
para 3 a 3 e derrota nos pênaltis).
Ao final da temporada, Esajas deixou o Milan para assinar com o Legnano, da Serie C1 (terceira divisão). Ele ainda jogou pelo Lecco, antes de encerrar a carreira, pela segunda vez, em junho de
2006.
Questionado a resumir sua tragetória em uma frase, Esajas respondeu: “A incrível história de um homem que tornou possível o impossível”.
Wednesday, 11 July 07, 09:44 AM
Todo verão europeu é a mesma história: especulações e mais especulações de transferências milionárias. Neste ano não é diferente. De todas as estrelas, Kaká e Cristiano Ronaldo parecem ser as mais cobiçadas. E se depender da legislação trabalhista, os clubes espanhóis largam na frente de seus congêneres.
Estudo divulgado recentemente pela consultoria Ernst & Young Advogados revela que a Espanha é o país com os menores custos fiscais para futebolistas. Além da terra de Cervantes, foram avaliados Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Holanda.
O levantamento mostra que, para um clube espanhol pagar 2 milhões de euros por ano a um jogador, ele precisa desembolsar, entre salários, Imposto de Renda, seguridade social etc 2,680 milhões de euros, enquanto um time francês, onde os custos são os mais altos, deve desembolsar quase o dobro: 5,4 milhões de euros. Na Itália, a cifra chega a 4 milhões de euros.
A legislação espanhola (apelidada de "Lei Beckham") vale para todos os estrangeiros que pretendam trabalhar no país. Para ser beneficiado, o trabalhador não pode ter sido residente fiscal na Espanha nos últimos dez anos, deve morar dentro das fronteiras espanholas e trabalhar em benefício de uma empresa local.
Dessa forma, Ronaldinho e companhia são tributados como "não-residentes", pagando taxa de 24% sobre seus rendimentos. Além disso, estão isentos de imposto sobre pagamentos efetuados por empresas estrangeiras. Por exemplo, se o Robinho receber 1 milhão de reais para fazer uma campanha publicitária para o Pão de Açúcar, ele não pagará 1 centavo de imposto. Para efeito de comparação, os residentes pagam 43% de imposto sobre quaisquer rendimentos. O benefício, que está em vigor desde 2004, vale por até seis anos e deve ser solicitado nos seis primeiros meses de residência
O Barça já assinou com Henry, o Real Madrid flerta com Kaká e muitos outros craques devem desembarcar em portos espanhóis neste verão. Certamente, paellas e touradas não são os únicos incentivos.