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  <title>O que move o mundo</title>
  <link>http://www.oleole.com/blogs/na-cal</link>
  <description>Este blog será abastecido com textos livres, mas que, sempre, tentarão resvalar no esporte que move as massas. Sugestões, críticas e outros tipos de comentários são bem-vindos, como um passe açucarado que deixa o matador na cara do gol.</description>
  <item>
    <title></title>
    <link>http://www.oleole.com/blogs/na-cal/posts/o-que-move-o-mundo-1</link>
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    <description>&lt;img src=&quot;http://www.oleole.com/media/main/images/blogs/images/group1/subgrp3/31997.jpg&quot; /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;Por Victor Uchôa, de Londres/Inglaterra, em 15.04.2008&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;O dia é domingo, 13 de abril. Há quase um mês o inverno europeu foi embora, mas não avisaram aos deuses ingleses. Chove e faz frio. A manhã já se mostra há algum tempo e
      Liverpool ainda não despertou. Movimentação somente no &lt;i&gt;Albert Dock&lt;/i&gt;, em frente ao museu dos Beatles, que moveram o mundo da música como talvez ninguém volte a mover, e gente de toda parte
      do mundo se move até Liverpool para ver o legado daqueles quatro rapazes.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;Até que um grupo bem heterogêneo começa a juntar-se num café ao lado do museu. Adultos conduzem pequenas crianças. Os jovens têm olhar altivo. Mulheres circulam à vontade. Alguns
      são bastante velhos, outros um tanto quanto tímidos. Todos cantam. Trajando vermelho, cantam que nunca vão deixar o seu amor caminhar sozinho. Cantam para o &lt;i&gt;Liverpool Football
      Club&lt;/i&gt;.&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;A manhã do domingo corre a passos largos e as ruas de Liverpool ganham vida. Vida vermelha. De todas as direções surgem pessoas que andam pelo centro da cidade esperando o
      momento de partir para o &lt;i&gt;Anfield Stadium&lt;/i&gt;, onde os &lt;i&gt;Reds&lt;/i&gt; enfrentariam o Blackburn num jogo sem grande valia. Pelo comportamento dos torcedores, parecia valer o título. A loja
      oficial do clube está lotada. Crianças perdem-se em meio à camisas feitas especialmente para elas, bichos de pelúcia, chaveiros e quebra-cabeças com imagens dos ídolos. Um pai espera que os
      dois filhos, um de cinco e um de três anos, escolham o que querem levar. Questionado se torcer pelo Liverpool foi iniciativa dos pequenos ou teve sua influência, responde com outra pergunta:
      &quot;Tive alguma participação, sim, mas seja sincero, jovem, há algum outro time melhor pra se torcer no mundo?&quot;.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;Este é também o pensamento dos amigos Yan e Mardi, um japonês e o outro indiano. Moradores de Londres, reservam os finais de semana para acompanhar o Liverpool em qualquer cidade
      da Inglaterra. Não seria mais fácil torcer por uma equipe londrina? &quot;Até que sim, mas nenhum time de Londres tem Gerrard, que joga com paixão, e nenhuma torcida ama seu time como essa&quot;, rebate
      o sorridente Mardi.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;A 50 quilômetros dali, o que move o mundo de Manchester são as indústrias e as universidades. E naquele domingo, o futebol. O Manchester United, líder do campeonato mais rico do
      mundo, recebe o Arsenal, que então alimentava esperanças de ser campeão. Esquema especial de segurança nos arredores do estádio &lt;i&gt;Old Trafford&lt;/i&gt;. Toda atenção para um dos maiores clássicos
      do planeta.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;A multidão chega aos poucos. Solitários berros de incentivo dão gradativamente lugar à um coro ensurdecedor. Torcedores do Manchester riem à toa. Seu time joga o futebol mais
      consistente da Europa e tem o favorito à melhor jogador da temporada. O português é versado nos gritos de guerra, na onda que eles chamam de &lt;i&gt;Ronaldo Fever.&lt;/i&gt;&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;Sem ingresso, assisto ao jogo num pub abarrotado de &lt;i&gt;Red Devils&lt;/i&gt;. O único que apóia o Arsenal é um senhor com seus 70 anos, acompanhado pela esposa. Torce discretamente, pra
      não dar na vista dos rivais. No intervalo, ouso perguntar por que ele foi torcer num bar onde só estavam torcedores do Manchester. &quot;Assisto todas as partidas do Arsenal nesse bar. Hoje não ia
      ser diferente. Esses meninos têm que me respeitar, pois eu já vi mais futebol do que todos eles juntos&quot;, conclui sorrindo. &amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;Arsenal na frente na casa do adversário. Só o velhinho está feliz, mas nem pode vibrar tanto. Pênalti para o Manchester, Cristiano Ronaldo na bola. Gol. O juiz manda repetir e um
      copo de cerveja vai ao chão. Segunda cobrança. Gol. Muita cerveja vai pro ar.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;O torcedores ensaiam um tímido canto dentro do pub. Ronaldo joga pra torcida no &lt;i&gt;Old Trafford&lt;/i&gt; e os ingleses vão à loucura fora do estádio. Virada dos &lt;i&gt;Red Devils&lt;/i&gt; e o
      pub é uma festa completa. Rodada de cerveja pra todo mundo. O título é cada vez mais palpável.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;2&quot;&gt;Fim de jogo, tenho que me mover de volta pra Londres. No balcão, uma última cerveja pra rever os gols e sentir a atmosfera de felicidade. Martin comanda aquele pub há 30 anos.
      Ninguém teria mais credibilidade para concluir essa história. Dentre outras coisas, pergunto se é sempre daquele jeito em dia de jogo. Usando uma pequena toalha preta com o escudo do Manchester
      bordado, o senhor de pele rosada enxuga a testa: Você veio do Brasil até aqui para ver isso, diz o inglês de olhos esbugalhados. É domingo de futebol e vale o título - prossegue Martin, após
      tossir forte e respirar fundo - imaginava que poderia ser diferente?&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;img src=&quot;http://www.oleole.com/media/main/images/blogs/images/group1/subgrp3/31999.jpg&quot; /&gt;
    &lt;/p&gt;</description>
    <pubDate>Fri, 18 Apr 2008 15:51:43 -0500</pubDate>
  </item>
  <item>
    <title></title>
    <link>http://www.oleole.com/blogs/na-cal/posts/o-que-move-o-mundo-parte-4</link>
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    <description>&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Por Victor Uchôa, de Rabat/Marrocos, em 16.02.2008&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;O campo de terra batida está encravado na Cordilheira do Atlas, cadeia de montanhas que se ergue bem no meio do Marrocos e divide o país entre Costa
      Atlântica e Deserto do Saara. Barreiras de pedra definem os limites laterais. As linhas de fundo são estabelecidas por quatro pedras maiores, duas de cada lado, que ao mesmo tempo determinam a
      medida da “trave”.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Naquele terreno, à uma temperatura aproximada de 12º e com um vento que diminuía em muito a sensação térmica, meninos jogam futebol sem dar importância ao
      frio ou às regras do jogo. Onde está a bola, estão quase todos, numa disputa febril pelo objeto desejado. Até que um baixinho de camisa vermelha, mais lúcido, domina o balão de borracha pela
      direita e parte na diagonal em direção ao gol adversário. Dois defensores param em sua frente e ele empurra a pelota pra esquerda. O companheiro de amarelo mata e devolve em dois toques.
      Baixinho só precisa encostar o pé pra que a bola ultrapasse as duas pedras e ele corra pra comemorar com os amigos.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Assisto a cena do alto de uma colina, fotografando tudo. É quando um marroquino passa por mim sorrindo e conclui o lance: “&lt;span lang=&quot;FR&quot;&gt;Il
      est très bon. Fantastique&lt;/span&gt;”.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Com aquela frase na cabeça, guardo a câmera e sigo me movendo no mundo, rumo ao Saara. No caminho, fecho os olhos e lembro.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Lembro de ver cafés e restaurantes lotados nas ruas de Marrakech. Atenções voltadas para a Copa Africana de Nações 2008, vencida pelo Egito. Mesmo com sua
      seleção sendo eliminada na primeira fase, os marroquinos acompanharam o torneio até a final, como se ainda disputassem o título. Prova de que o que vale mesmo é a ilusão do jogo, sem tanto
      crédito para a vitória ou para a derrota.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Também em Marrakech, conheci um vendedor de sucos chamado Simon. Em três dias, o jovem aparece com três camisas diferentes do Barcelona. Curioso, quer
      saber se os clientes brasileiros são jogadores profissionais. Para ver sua reação, inventamos que um de nós é um jogador em férias. Simon quer fotos ao lado do “craque”.&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt; De
      aparência humilde, surpreende ao sacar um celular de última geração e mostrar um vídeo onde Ronaldinho Gaúcho só falta fazer chover no deserto. As imagens, diz Simon, são preciosas.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Andar nas ruas de cidades marroquinas como Marrakech e Fès significa ser questionado a todo momento sobre sua origem. Os vendedores, artesãos ou
      encantadores de cobras querem sempre saber de onde chega o viajante. Se ouvem “Brasil” como resposta, é uma festa: “Ronaldo! Ronaldinho! Kaká!”. Todos, sem exceção, querem jogar com os
      brasileiros. Melhor. Eles querem brincar com a bola como brincam os brasileiros. Afinal, é do Brasil que sai boa parte dos poucos exemplos ainda existentes de jogadores que jogam pelo prazer de
      jogar, e não pela lógica numérica. São aqueles que mandam às favas os padrões estatísticos e deixam florescer a liberdade criadora, o improviso dos que atuam pela alegria de dar alegria.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Quando abro os olhos já estou em Mhamid, às portas do Saara, quase na fronteira com a Argélia. No deserto, passo alguns dias com Berberes, os nômades
      daquele território. Atualmente, devido à falta de água, muitos estão agrupados em vilas, em constante contato com o resto do mundo. Entre eles está Rhamon, que diz amar três coisas: o deserto,
      os camelos e futebol. Enquanto caminhamos pela areia fofa e ele acaricia seu camelo, Rhamon me deixa assombrado ao fazer algo que eu não conseguiria: sem titubear um só instante, escala toda a
      Seleção Brasileira que enfrentou o Marrocos na fase de grupos da Copa do Mundo de 1998. Numerando a camisa de cada jogador, ele vai de Taffarel a Ronaldo.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Voltando do Deserto, em Mhamid, encontro algumas crianças jogando bola num campo de areia, onde a barra horizontal das traves dá lugar a uma corda. Começo
      a fotografar &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;e muitos não gostam. Digo que sou do Brasil e tudo muda. Cada um dá o melhor de si em campo. Eles não têm calçados e, infelizmente, também não têm muitos dentes.
      Todos estão bastante sujos, e não por causa do jogo. Reparo que só um time tem uniforme. Descubro que o “árbitro” fala inglês e questiono sobre a falta de camisas para os demais. “Não tinha
      dinheiro pra comprar tantas camisas. Mas isso pouco importa, o que importa é que eles joguem e se divirtam”, diz Ahmed.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;As crianças do deserto marroquino convidam-me para brincar com elas. Não posso. O ônibus que me moverá de volta ao mundo “civilizado” já vai partir. Mas
      antes, tenho tempo de ver um menino de cabeça raspada disputar no alto uma bola rifada por um companheiro. Na sobra, ganha na corrida do defensor e antes que o goleiro se dê conta, toca pro gol
      e sai fazendo festa. Então, aquela criança que nasceu no Saara e que tinha sido um dos mais contrários às minhas fotos, vira pra mim, sorri seu sorriso vazio porém cheio de vida e fala em Árabe
      algo que eu só posso decifrar como: “Brasil, essa foi pra você!”.&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Très Bon. Fantastique!&lt;/font&gt;
    &lt;/p&gt;
    &lt;p&gt;
      &lt;img src=&quot;http://www.oleole.com/media/main/images/blogs/images/group1/subgrp3/criancas-do-deserto-_28408.jpg&quot; alt=&quot;Crianças do Deserto do Saara&quot; title=&quot;Crianças do Deserto do Saara&quot; /&gt;
    &lt;/p&gt;</description>
    <pubDate>Wed, 27 Feb 2008 12:06:25 -0600</pubDate>
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