Monday, 18 February 08, 07:50 PM · Comments(0)
Mas nós não nos enganamos, não senhor; pelo menos eu não. Para cada grande jogador que pisa num gramado, existem dez eles: os picaretas. Os pangarés, cabeças-de-bagre, zés manés, pernas-de-pau, calhambeques, perebas ou mãos-de-pau (porque as lambanças históricas sempre são dos goleiros).
Formando uma legião de homens que escolheram a profissão errada e foram longe demais, eles são aqueles que nós nos esforçaremos para lembrar o nome quando pegarmos um pôster de uma velha conquista. Aqueles que têm um feito memorável no currículo apesar de o talento não lhe ter comtemplado são os picaretas que amamos.
No São Paulo, o picareta que mais me orgulha nos últimos anos se chama Válber, um zagueiro/meia que caminhou na fina linha que separa um vitorioso de um zé ninguém. Sim, ele está
na foto do bi-mundial, mas a grande conquista dele é outra.
Quando saiu o Leonardo, sobrou pra ele ser meia criador de jogadas do time, junto ao Palhinha. Não deu em nada. Assim, o ponto alto da carreira do Válber não poderia ter sido outro além do soco que ele deu na cara do então palmeirense Antônio Carlos. Quem não lembra?
Foi em um jogo entre São Paulo e Palmeiras (talvez naquele no mesmo dia da morte do Senna, não me lembro). Cruzamento na área tricolor e um jogador fica sozinho para cabecear. Falha de
marcação, gol e vitória do Palmeiras.
O culpado foi o Válber. Em vez de ir na bola, parou na frente do Antonio Carlos e deu um soco na cara dele. Ele nem olhou para a bola, nem fingiu. Foi estilo vale-tudo, uma mãozada em cheio na
cara dele.
Antonio Carlos teve que ir para o hospital, onde foi filmado na humilhante situação de ter um copinho de café pregado no rosto com durex. Depois ainda jogou no Santos e no Corinthians, onde
hoje é dirigente. Ou seja, mereceu.
Postado por Pó-de-Arroz